sábado, 24 de julho de 2010

Tempestade...



Este arrastar de pés na lama que me prende
na liberdade das palavras
que rasgam a minha pele
sem pudor de magoar, porque as conheço de cor…
Não choro por cansaço, nem sinto no teu abraço
afastar o meu degredo, esse é o teu segredo…
Não ouves as minhas lágrimas?
Dói-me aqui, cá dentro de mim…
Lavo-me sem pudor, no pudor das minhas letras,
das tuas letras, obsoletas como eu
porque as sinto, porque arrastam a minha dor
ainda mais além do outro que morreu
Não, não choro de cansaço!
Não é cansaço não querer ver,
apenas esta mágoa, o perceber…
(Há muito percorro a estrada sozinha
por isso te compreendo…)
Ninguém entende! Ninguém me entende!
Não quero ser apenas alguém,
não quero ser apenas mais ninguém
nesse mundo de fantasia que emerge
como erva daninha por entre os dedos que tocam
nas teclas desse piano, sem vida….
Não, não quero ser mais uma amiga!
Escuta, escuta os meus olhos,
não vês que sofro amor, que sofro nessa dor?
Tão complexa a minha alma?
Porque caminho no meio da tempestade,
mantenho a calma
neste arrastar de pés na lama que me prende
na liberdade das palavras
que rasgam a minha pele,
sem pudor de magoar, porque as conheço de cor…
Mas quero-te, quero-te deste meu louco querer,
por isso me dispo de mim e visto-me de ti,
entrego-te esta parte,
desvendo-te os meus segredos sem tocar com os meus dedos
nos teus,
não vês que tenho medos?
Não quero ser apenas alguém,
não quero ser apenas mais ninguém
nesse mundo de fantasia que emerge
entre nós….