sexta-feira, 9 de abril de 2010

A peça do puzzle

Muitas vezes não sabemos exactamente como medir o alcance das nossas opções ou avaliar as nossas escolhas. Não sabemos se estamos a fazer bem ou a fazer mal porque os sinais que recebemos são contraditórios e confundem-nos. Tudo, afinal, pode ser interpretado de uma maneira positiva ou negativa e é isso que não ajuda a ter lucidez.
Numa longa conversa que tive recentemente com um grande amigo falávamos sobre a questão de saber ler os sinais que nos chegam das mais variadas formas e divagávamos sobre a nossa incapacidade de, às vezes, os interpretar e perceber se estamos a fazer a opção certa ou errada.
Felizmenete nem sempre os sinais são equívocos e, na maior parte do tempo, basta-nos ouvir a consciência e dosear algum bom-senso para ter a certeza de que estamos a agir correctamente.
Acontece que nas alturas mais difícieis ou angustiantes, nas grandes escolhas que somos obrigados a fazer ao longo da vida, é frequente sentirmos algum desnorte e uma necessidade mais profunda de avaliar se estamos a fazer certo ou errado. Nestas alturas há que saber identificar os ditos sinais e avançar com mais prudência.
Estar atento à nossa própria evolução, àquilo que sentimos ou deixamos de sentir em função das nossas opções significa uma aposta permanente no conhecimento de si próprio e é uma forma mais segura de percorrer caminho. Não chega, no entanto, para aferir sobre a validade de todas as escolhas que fazemos e, muitas vezes, têm um alcance que ultrapassa o nosso horizonte imediato.
Confrontado com o desfazamento comum entre o que escolhemos, aqui e agora, e os efeitos retardadores das nossas escolhas, este meu amigo disse uma frase eloquente e tão preciosa que a guardei como um tesouro.
"Gosto de pensar que tudo se passa como num puzzle em que a peça ceta encaixa sem dobrar nem forçar."
A imagem da peça do puzzle a encaixar sem fazer fricção, sem rasgar. sem ferir e sem magoar os cantos é uma imagem feliz. Perfeita para nos ajudar a avaliar a forma como as coisas encaixam na nossa vida.
Claro que não está na nossa mão encaixar todas as peças e muitas fazem-nos sofrer ou vergar um bocado, mas é bom reter esta imagem para os momentos em que está nas nossas mãos decidir. Sentir que a escolha que fazemos nos deixa mais confortáveis, mais alinhados com a nossa verdadeira natureza e mais em paz é como sentir a peça do puzzle a encaixar. Mesmo que haja mágoa ou não se trate de uma escolha fácil. O sinal mais evidente será sempre como a escolha nos assenta e as peças encaixam umas nas outras.